Subalternização e Controle de Corpos Migrantes na Operação Acolhida

Rubens Lacerda de Sá, Pablo Santana da Cruz Felix

Considerando o aumento expressivo do fluxo da migração venezuelana a partir de 2018, impulsionado pela crise multidimensional no país e pela pandemia de COVID-19, percebemos que a Operação Acolhida, criada como resposta humanitária, opera, por vezes, como mecanismo de controle e disciplinamento dos corpos migrantes, dificultando sua inclusão social. Desta maneira, objetivamos neste texto apresentar sucintamente um panorama do conhecimento científico produzido sobre essa política entre 2018 e 2024, cartografando o perfil de vulnerabilização dos migrantes e analisando os processos de subalternização e controle. Para tanto, procedemos à coleta e organização de dados por meio da Metodologia Arqueológica de Dados (MAD) (Sá, 2023a), com suporte da matriz PESTEL para orientação e identificação de lacunas em campos diversos. O arcabouço teórico de Spivak (2010) e Foucault (1987) sustentam as constatações e possibilitam a análise a partir do conjunto de dados. Neste sentido, as análises apontam que a produção acadêmica concentra-se nos campos político e legal, majoritariamente ligados às Ciências Militares, e revela a subalternização de grupos como mulheres e indígenas Warao. Concluímos que a escassez de estudos sobre o tema constitui uma lacuna relevante. Destarte, nossa contribuição almeja fomentar novos debates e pesquisas voltadas a abordagens mais humanas e plurais sobre a gestão migratória.

DOI 
10.14605/PD1212601

Keywords
Migração, Subalternização, Disciplinamento, Operação Acolhida.

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